" Você sempre tem tempo. Você nunca chega na hora, sempre atrasa mesmo quando cumpre o combinado. Sua pessoa não é suficiente, é inconsequente. Contigo é sempre na procrastinação, nada que gere animação. Me pergunto aonde você quer ir com toda essa sua lentidão? Cadê você quando se tem um compromisso, é de praxe você ser o último a chegar. É simples, você é igual aos outros. Sempre se esquece, sempre acha que ainda dá tempo. Eu faço tudo com meu sangue e você preenche tudo com água barata da esquina. Eu escrevo sobre a poesia de Rimbaud enquanto você perde seu tempo ouvindo Cartola. Cartola não é ruim, não me entenda errado. Porém ouvir samba tem seus momentos. E poesia só enche a barriga quando é sentida no trabalho. Sua personalidade é sem controle, sem feedbacks. Você chega, tudo se atrasa. Nunca leva nada do jeito sério. Sempre me tira do sério. Caralho, você confunde tudo com algo fútil e com cascalho. Acho que sua mente é oca como a de um baralho… Essa história de rimar é coisa sua, eu nunca rimo. Eu sempre sou renovador, não repetidor. Sou estável e intragável. Você é ácido e corrosivo, como cachaça, mas aconchegante e inebriante como aguardante. Nunca te entendo, odeio suas estupidezes. Porém o acaso sempre nos coloca para trabalhar no mesmo caso. Você me faz rir, mas eu prefiro ferir minhas mãos pisando sério no batente. Você é simpático e eu apático. Eu sou a rejeição e você a curtição. Você nunca será um profissional, seu destino é ser atropelado na esquina com o Beco Diagonal. Em uma posição nada fraternal, com uma garota nada legal. Seu destino é seu, cuidado para não ter um futuro cheio de rimas e banal. "